02/02/2009

Seus olhos fitavam o horizonte. Perdiam-se na imensidão do espaço em busca de algo que pudesse transmitir-lhe a paz de que ela tanto precisava. Límpidos como água cristalina, esses mesmos olhos eram intrigantes. Transpassavam sua alma através do olhar. Penetravam profundamente quem os olhava e deles nunca mais esqueceriam.
Não era a cor deles que atraiam. Eram um tom de castanho claro e brilhantes como as estrelas. Olhos fotográficos e fotografados. Eles falavam por ela quando as palavras estavam recolhidas no espaço do silêncio.
Revelavam fome. Não a fome comum dos alimentos, mas a fome dos sentimentos que lhe faltavam. Ela anseia por eles, faminta de desejo. Um desejo doce-azul-forte-perfurante. Felicidade era o que ela queria. A felicidade dos que aproveitam cada momento e se lambuzam com tudo isso.
Seus olhos exibiam sua alma. Imcompreendida por tudo e todos, ela chorava e desejava. Todos enxergavam sua tristeza e a imcompreendiam mais ainda.
Esses olhos eram a pressão de sua beleza, seus mistérios. Muitos eram os que queriam tê-los e compreendê-los e assim também tê-la e compreendê-la. Porém, eles estavam guardados para alguém. Poderiam olhar muitos ao longo dos tempos, mas seriam só de um.
Seu olhar mergulhou uma única vez no olhar de um homem. Foi o único que amou e sabe que será assim para sempre. Ele se foi, seus olhos afastaram-se dos dela e mergulharam no sono profundo e escuro dos que não voltam mais.
O pôr-do-sol lhe emociona. É o início de um fim que faz dela completa novamente. Todos os dias olhando esse espetáculo, ela enxerga os olhos de seu amado novamente. Que lindos olhos ele tem. Por instantes, sentia-se perto dele novamente.
Como ela queria que aquela fosse a visão da sua eternidade.


By Texto: Luciana Brito 

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