02/03/2009


Noite sem estrelas, completa escuridão. Pego-me pensando em nós dois. Vejo aquela foto antiga, de quando nos conhecemos. Éramos tão jovens, tão cheios de vida, expectativa e sonhos. Recordo-me dos nossos planos, de tudo aquilo que combinamos um dia. Você se lembra do dia em que me pediu em namoro? Do medo que sentiu quando sentou no sofá e meu pai o fitou com aquele olhar fixo, vi suas mãos tremerem, e mesmo assim, você não vacilou, seguiu com aquele seu discurso ensaiado, atropelando as próprias palavras, tamanho era o seu nervosismo. Meu pai o olhou por completo, sorriu e lhe deu aquele tapinha nas costas de quem diz: - Vai lá garoto. A simpatia foi imediata, e como eu suspirei aliviada. Todos viviam repetindo, que você não era bom o suficiente pra mim, que eu merecia algo melhor e blá blá blá. Eu acreditei em você, nas suas palavras, nos nossos olhares, nos abraços, nos beijos roubados. Como era bom estar ao lado seu. Lembro perfeitamente do nosso primeiro beijo, atrapalhado como era, tropeçou nos próprios pés antes de se aproximar de mim, ficou lá, parado, cheio de vergonha, apenas me olhando. Fui eu quem tomou a iniciativa e perguntei: - Vai ficar aí me olhando pra sempre ou vai me dar um beijo? Você riu todo sem jeito, pousou uma de suas mãos no meu rosto e com a outra me puxou para mais perto, me deu um beijo na ponta do nariz, pra depois me beijar a boca e minha nossa, que beijo. Gostar de ti era tão puro, tão leve. Um amor todo infantil, doce, inocente. Foi quando me prometeu, que ficaríamos juntos para sempre. Passamos longos anos juntos, até que um dia você me pediu em casamento. Recordo-me da euforia, dos preparativos, da gigantesca festa, você estava tão bonito. As flores, os doces, os presentes, tudo da mais grandiosa perfeição. E a Lua de Mel? Nossa, como eu estava nervosa. E foi tudo tão bonito. Você? Era puro carinho. Passamos por gigantescas dificuldades e em nenhuma delas esquecemos da nossa cumplicidade, do nosso compromisso. Quando a casa ficou pronta? E quando compramos o carro? Quantas conquistas. O seu sorriso de orelha a orelha quando lhe contei que esperava um filho. O nosso filho. Minha gravidez de risco, sua mão segurando a minha na hora do parto, o choro, as suas e as minhas lágrimas. Tão diferentes das de agora, que percorrem meu rosto em silêncio, marcando-me de saudade, da sua saudade. A sua doença, o meu morrer aos pouquinhos. E agora o vazio, o silêncio. Peço a Deus, todos os dias, que me leve para junto de você...

... que o pra sempre, Sempre acaba... 


By Texto: Pekena Kah

http://pequena-kah.blogspot.com/search?updated-max=2009-02-19T11:08:00-08:00&max-results=1

Nenhum comentário: