26/01/2013

Carta²

Querida Lola,

Tudo mudou. Eu. Você. Nós. Não consigo mais lhe escrever, lhe falar.
Ao longo dos anos eu tentei escrever a ti novamente, tentei colocar um pedaço de mim em palavras e mandar para ti, porém, nunca as palavras pareciam ser suficientes ou corretas o bastante. Confesso que tentei, e são varios os trechos;

21/03/11
(...)
Prado, 21 de março de 2011
Querida Lola, está chovendo por aqui. Eu devo sentir medo da tempestade? Pois eu não sinto. Eu vi o mar. Tão lindo, tão grandioso, magnifico e monstruoso como ele mesmo. Ele também não me dá mais medo.
Estava difícil de aguentar. Mas eu consegui. Eu sou forte, sei disso agora. Assim como tu, minha pequena sempre foi. Hoje não falo das fraquezas, quero falar das conquistas. 
A chuva passou, o sol está nascendo e dessa vez eu não estou dormindo. Inútil se eu disser que devemos ser felizes e nos alegrar nas pequenas coisas? Mas é a pura verdade. Afinal, paixão não dura para sempre, amor as vezes parte nosso coração e o mundo juntamente com o destino tentam sempre separar uma amizade. Mas essa vida é um grande espetáculo que Jesus nos prometeu que valeria a pena. Por isso dance, como se fosse a ultima vez; ria, como se não existissem lagrimas; chore, como se não houvesse criticas; pule, beije, grite... pois o dia de hoje não volta, você terá apenas um 21 de março de 2011. O tempo não volta... e as vezes temos que seguir em frente, deixar sonhos para trás ou correr atrás dos mesmos.
Está chovendo de novo. Sinto sua falta. Na verdade, é mais do que isso, estou com saudades. Saudades das suas piadas, das suas loucuras, do seu riso, do seu silencio. Saudade da sua presença. Aquele tipo de saudade que incomoda sabe? Que doí... e não me deixa te esquecer. Quando nos veremos? Eu não quero que essa dor se acostume com sua ausência. Não...
Tem que se dar valor as pequenas coisas dessa vida meu anjo, cada momento de alegria, tristeza, esperança, fé ou de sonhos... dê valor a cada minuto pois até se sentir triste é um privilegio comparado àqueles que apenas existem e estão entorpecidos de tal forma que não sentem nada.
Aquela velha companheira angustia ao ter tomado conta de mim no passado, me tirou sensações como paixão, inocência e entusiasmo para descobrir a vida. A cada dia tento superar e esquecer isso sabe? Perdão, mas nem sempre consigo. 
Não se preocupe Lola, eu sou forte, eu aguento.
(...)

Entende o tamanho da confusão? Nem eu consigo me encontrar entremeio essas palavras... Foram tantos pensamentos, o que resultado em muitos rabiscos, e no fim, sem nenhum significado.
Existe outro trecho;

15/03/12
(...)
Rio de Janeiro, 15 de março de 2020
Querida Lola, está frio aqui. E apesar de curtir isso, só serve para me lembrar do calor da nossa cidade natal, me lembrando do passado. Passado... é tão doloroso essa palavra, pois significa algo que passou, algo que ficou no tempo e não volta mais. 
Sabe amiga, eu percebi que apenas escrevo quando sinto saudade. Sim, sinto saudades. De lugares, de situações, de pessoas, de mim, de você, de nós. Sinto saudades de tanta coisa. Estou repleta de nostalgia agora. Mas não se preocupe, não me ligue; quando esta carta chegar em suas mãos eu já terei me curado, porque você me conhece, estou sempre repleta e tumultuada de sentimentos.
Contudo, não lhe escrevo para narrar sentimentos tristes ou falar do passado.
Não tem sido fácil, na verdade nunca é, mas tem sido gratificante. Sim, gratificante. Está surpresa Lola? Ah amiga, aprendi a dar importância as coisas que realmente valem a pena. Clichê, eu sei.
(...)

Parece que a carta foi cortada no meio, certo? Eu me recordo desse trecho, as palavras me vieram, e eu rabiscava com letras bonitas dessa vez, em um papel, mas chegou um momento em que não existia mais palavras... Talvez seja por tentar narrar algo que não vivi, tentar prever o futuro sendo que na verdade não tinha certeza nem do presente. Outra confusão de palavras. Contudo, ainda existe mais;

08/08/12
(...)
Querida Lola,
O tempo vai passando. A vida, os anos, os meses, os dias, as horas, os minutos e os segundos. As vezes passam lentamente, outras vezes a gente nem percebe que já é passado. Durante esse tempo, passam por nós sorrisos, magoas, viagens, confrontos, duvidas, caminhos, flores, tempestades, alegrias, angustias, pessoas. Esta última parte para mim é um problema sabe, pessoas passando... Dentro de mim as pessoas não passam. Elas chegam, aparecem e ficam, como se cada uma delas pegasse uma barraquinha e acampassem em um pedacinho do meu coração. Cada pessoa que passa tem sua particularidade, sua singularidade, que a torna diferente das demais, e isso me encanta. Me encanta os sorrisos, as qualidades, os sotaques, o jeito, a personalidade das pessoas... Dentro de mim há coleção, de pessoas. As pessoas que me cativam nunca se vão, permanecem. Em situações extremas de magoa, traição, elas tentam sair de mim, porém permanecem, todas elas; o tempo leva as dores, mas nunca o sentimento que um dia existiu. Sou uma pessoa carregada de pessoas Lola, mas você, dentro de mim, ocupa o maior lugar e o mais bonito. 98km/h e no fone de ouvido toca On My Way na voz de Boyce Avenue, Ah que voz magnifica, e ele dá som as vozes do meu coração ao dizer: eu estou a caminho, já estou a caminho. Eu sempre estarei á caminho, nos melhores e nos piores momentos. Estarei para ti.
Sou uma pessoa carregada Lola, percebo isso agora, sou uma pessoa carregada de sentimentos, pessoas, emoções.

(...)

Percebe-se que desta vez eu narrava o presente, e de alguma forma, tentava explicar tantos sentimentos, tentava explicar minhas atitudes e a falta de rancor. Não me recordo o porquê, mas eu tentava me explicar para ti. Sempre tentei. E houve um último trecho;

24/10/12
(...)
Querida Lola, você me feriu de uma forma que nunca outra pessoa seria capaz. Eu não entendo. Onde errei?
Te amo coração. Se cuida, e aceite o meu conselho: nunca se deixe amar alguém mais do que a si mesma.
Percebo agora que nem sempre só amar é suficiente.
(...)
 
Perdoe demorar tanto a lhe escrever, entenda agora o meu problema. 
Eu tentei varias vezes. Mas elas nunca pareciam certas. Acho que as palavras corretas, só aparecem quando é o momento, quando realmente acontece de ser.
Palavras são difíceis Lola, são delicadas, podem ser confusões ou iluminar e trazer grande paz.
Eu estou bem Lola, muita coisa mudou, tanto ainda tem que mudar, entretanto velhos hábitos nunca morrem. Nunca deixo de te escrever ou pensar em ti, só não consigo acertar a maneira adequada ao me expressar.
Sei que foi uma confusão, mas decidi que deveria compartilhar contigo estes trechos bagunçados.
Estou me centrando agora, lhe escreverei em breves palavras que valam a pena.
Te cuida bem Lola, e lembre-se que algumas vezes na vida são criados laços que nunca podem ser quebrados. Sonhos são possíveis e sempre podemos ter novos.
Com carinho, "eu sou Josi"

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