24/09/2013

incapable

Tinha sido uma noite incrível, daquelas de cinema, de conto de fada (como se eu acreditasse em conto de fada). Ele me liga para saber como estou, eu bem sei que era uma jogada para aparecer novamente e marcar pontos no nosso caso-descaso de sempre. O convidei para jantar, estava com vontade de fazer um grelhado de peixe e saborear uma doce de whisky em plena terça-feira; minha marida estava novamente na casa do noivo, vivendo intimidade, prestes a ser de mais alguém alem de mim; então o convidei. A presença dele sempre me fazia bem, sempre trazia coisas boas em mim não sei de onde. Comemos, bebemos e rimos como amigos, contando historias, e compartilhando aventuras. Sem sequer pensar em como, nos beijamos e logo depois estávamos na cama novamente. Ele sempre soube em que ponto me tocar, ele sempre soube quando eu precisava de sua boca na minha, ele sempre soube tocar fundo na minha alma nostálgica. Nos amamos, lentamente, demoradamente, do jeito que só ele faz, do jeito que me faz tão dele que nem ele sabe. (...) Nus, relaxados, estávamos de frente um para o outro, enquanto ele passava a mão no meu rosto, e eu de olhos fechados fingia cochilar; ele sussurrou baixinho "Você não tem ideia do quanto significa pra mim". E a frase ficou assim, no ar. Eu sorri de leve, e ao abrir os olhos e encontrar os seus, não pude evitar de beija-lo ternamente nos lábios, para que ele sentisse que eu entendia. E eu entendia. Virei de costas e me aconcheguei nele, deixando que me abraçasse. Eu sabia que ele me amava, ou sabia que ele achava que me amava, estava em seus gestos, suas palavras, seu jeito.
Deixei-o me abraçar, fingi dormir, e chorei baixinho. Mesmo depois de tanto tempo, eu não poderia pertencer a ninguém, muito menos a alguém tão completo e cheio de defeitos que eu poderia lidar; eu não poderia pertencer a ninguém, pois sempre fui mais do que metade de vazio. 
Chorei baixinho, por ele, a quem gostava/admirava incondicionalmente; e chorei por mim, por não ser capaz de receber amor.

Um comentário:

Mª Fernanda Probst disse...

Nada mais triste do que ter alguém que nos ame e a gente não saber retribuir. Mas nesse caso, se as coisas são boas, porque não receber esse amor que, parece, é recíproco?

Beijos