08/06/2014

Choise of heroes

Virei a direita 45km/h. O som do carro aleatoriamente decidiu tocar Coldplay The Scientist. Eu dirigia prestando pouca atenção no trânsito pois a cabeça ocupada girava girava mas não se concentrava. Entrei na rodovia. 
Eu precisava partir, me entenda, eu precisava ir. Eu fiquei, eu fiquei o quanto eu pude, o quanto aguentei recolher e engolir chuva dos olhos, e pequena, eu aguentei tanto para aparentar ser forte. Me descobri sendo uma pilha de sentimentos e nhenhenhens daquele jeito que tanto criticávamos, que saco hein; mas de um jeito diferente do seu sabe, eu não sou como você que ama, idealiza e vive com e por alguém, eu sou mais... De viver por mim. Isso. De viver por mim, cada sentimento, cada sensação, cada medo, paixão, amor e eu me doo tanto nisso, confesso. Eu sou egoísta a este ponto. 80km/hh, Red Chilli Peppers Scar Tissue. 
Senti uma gota salgada chegar a meus lábios neste momento. 
Eu me machuco demais. Nesta brincadeira de hoje amar e amanhã sonhar, confunde a mim mesma e a cada vez, consome um pedaço de mim. Meus dedos das mãos contam tantas paixões do tipo de dormir chorando que tive, quantos sonhos tive/tenho/luto, quantos dias houveram de "preciso renovar e dar um novo sentido a mim"...
Deixa eu tentar explicar a real confusão aqui...
Sempre admirei aquelas pessoas andantes, viajantes (no sentido literal ou não), sonhadoras, fáceis de conseguir amar ou serem amadas, que colecionam experiencias, que vivem em boa parte de momentos e sentimentos... Sempre admirei estas pessoas Lola, você bem sabe, pois, passar um minuto ao lado de pessoas assim dava um significado na vida da gente pois sempre tinham uma lição a dar através de palavras ou ações. Ah sim, sempre me encantaram... Aparentavam uma leveza na alma tão grande, e eu chegava a invejá-los.
E sabe o que eu percebi? Eu me transformei em uma pessoa dessas, um desses  constantes hippies, viajantes e sonhadores. Sabe o que mais eu descobri? Era mentira! Vendo daqui de dentro, te garanto, não há nada a se invejar. Só existe vazio, saudade, experiências e um grande desejo de tentar de novo; e assim recomeça o ciclo. Quão triste e solitário é este caminho. 115km/h, Soja Rest Of My Live. 
Outra coisa, me transformei em uma chorona. Parece que meu cérebro desligou aquela regra de orgulho/esperechegaremcasa que se tem antes de querer chorar.
Me desculpe. 
Eu peço desculpas a minha família, a meus amigos e a mim mesma principalmente. Peço desculpas a mim pelas constantes dores causadas pelo caminho que escolhi.
É isso, sim, me transformei no tipo de pessoa estranha, difícil de se entender, que vive intensamente/momentaneamente, que sempre tem uma lição a dar. 
Mais lágrimas chegam aos meus lábios ao me dar conta de que não nasci para ou serei parte daquela história de um bom maridinho, uma cerca branca e uma criança dos olhos claros. 
Estou fadada a ser o tipo de pessoa que sempre admirei. Pois bem, escolha muito bem seus heróis, eles podem te definir.
Eu sorri entremeio as lágrimas e pensei, este caminho dará bons textos. Afinal, estou nesta estrada para contar histórias e passar lições... Voando sem destino.

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