07/03/2015

Time

BR-381, 100km/h, toca I Am The Highway no rádio, ela coloca o braço para fora da janela e começa a fazer movimentos com a mão como se fosse pegar um pouco do vento. Certeza, isso que ela tinha agora. Sempre andou como se precisasse de orientações, mas este sentimento não mais a acompanhava. Todas as suas necessidades de ser somente para algo ou alguém se foram, esta vontade existia por querer fugir de si mesma, por querer ignorar a si própria e seu eu de toda dor e perguntas. Os últimos lugares que visitou, as últimas pessoas que observou, os recentes olhares, a última lua, as estrelas de ontem a noite, as músicas às quais tem penetrado sua alma, a paciência que tem tido consigo mesma; tudo isto, tudo isto, serviu-lhe para se sentir liberta de qualquer pensamento que não seja seguir sua jornada. 
As pessoas tem medo de tudo que não seja normal e comum, e ela tinha medo de si mesma, das suas ideias e ideais. Não mais.
Com os vidros abertos, o vento bagunçava seu cabelo e ela sentia a natureza, os primores da vida, algo verdadeiro, e ela sorriu se sentindo leve. Ela aceitou a si mesma, e o fato de que viverá em constante mudanças e correções, mas agora era diferente... Ela estava tão tranquila e tão contente.

Não é tolice dizer que ás vezes, tudo o que se precisa, é de tempo.