23/11/2015

I always knew

Eu soube. Eu sempre soube. 
Existem sensações que escondemos logo abaixo da superfície, como uma segunda pele, que as pessoas não notam e é possível viver uma longa vida sem precisar olhar, pensar, se quer explicar para si e para outros. 
Por todos estes anos compartilhamos sorrisos, abraços, beijos e momentos tão singelos onde minha alma se sentiu profundamente tocada e acalentada, e sonhamos, sonhamos juntos, onde você sempre pensou sonhar e sentir sozinho, eu sempre estive ao seu lado, sonhando junto, desejando junto todos os planos, fervorosamente e com tanta intensidade que me vem gotas de chuva aos olhos. Eu nunca pude dizer, e você nunca pode escutar. 
Certa vez, distraída estava, até que um lindo passarinho amarelo, sim, ele possuía a barriga amarela e a cabeça branca, como era lindo! Este frágil bichinho tocou com seu bico o vidro a minha frente, logo me chamando atenção. Me veio um sorriso tão grande, acompanhado de uma risada ao olhar aquela maravilha. E o passarinho continuou a bater com o bico no vidro, com leve pausas entre as batidas, como se estivesse chamando atenção, e eu só pensei "acorda!". "Acorda!". E eu chorei, chorei, aparentemente como uma criança, mas na realidade, como uma adulta possuída de angústias que sempre me acompanharam. "Acorda!". Talvez eu tenha vivido pela superfície por tempo demais.
Seu sorriso. Nada no meu mundo, é mais importante que o seu sorriso. E mesmo tentando explicar, acredito que nunca serei capaz de dizer algo que te faça entender que, esse mar de buracos que há dentro de mim sempre me puxa, sempre me submerge de forma que por constantes vezes me sinto a mercê de todas estas dores e sensações que me trazem tristeza. 
Seus sonhos também eram meus, pois eu os desejei antes de ti ao criar para mim um espaço de paraíso na terra com você. Foram tantos sonhos. Foram tantas vidas que se passaram. E eu não pude viver. Eu não pude me atrever a tocar algo tão puro e singelo com minhas dores, então, te deixei ir. Te ver partir, aumentou a minha ferida. Mas vá meu amor, vá, não quero que sintas em ti o que sinto. Eu te preservo e te cuido, até de mim...
Eu sempre admirei o mar, tão imenso e profundo, contudo, sempre tive medo. Eu entendo o porque. 
Eu soube. Eu sempre soube. Que todos me pertenceriam, mas eu não poderia pertencer a ninguém.

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